Uma justificativa
O ser humano ainda não está pronto para pensar por si próprio, para julgar, ou mesmo cuidar de sua própria vida. O ser humano não tem conciência do bem e do mal, e é por isso que eu estou aqui, para mostrar-lhes em que devem acreditar.
Hereges
Sexta-feira, Dezembro 15, 2006
A Inquisição proclama o Chamado

Se você ainda visita, ou visitava esse blog, envie um email para olvra.ribeiro@gmail.com
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Apenas envie. Não deves compreender a ida.
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Sexta-feira, Setembro 23, 2005
o portador da luz e aquele que suporta a cruz. - capítulo 2

(salmos 64, 121 e 76)

Existe uma Bíblia restrita a personagens muito insignes na Igreja. Esta é chamada de a Bíblia Magna e sua grafia é diferente das demais. O Grande Inquisitor estava com um exemplar desse livro nas mãos. Lia mentalmente alguns trechos, sentindo tonturas toda vez que encerrava uma frase. Os efeitos mentais são pequenos. Cada par de palavras do livro é intercalado por uma só, em latim, escrita em itálico, de significado desconhecido. Se uma frase é proferida em voz alta, a oração ganha o poder de uma ordem. Uma ordem ao mundo. O Grande Inquisitor adentrou a cela em que se encontravam presos Jesus e Lúcifer. Havia o corpo de um inquisitor no chão. Fedia. Havia moscas, havia fungos. Ninguém ousara entrar ali. A burocracia demorou dias para entregar a Magna.
O Inquisitor tinha ódio nos olhos. Leu, gritando, as palavras da Bíblia, que assim não foram ditas, mas assim soaram:
- Escuta, ó Deus, a voz de meu lamento - do terror do inimigo preserva minha vida!
A cela tremeu. As paredes ganharam pequenas rachaduras, devagar as coisas estalavam. Um zumbido intermitente surgiu.
- Isso deve coagi-los a seguirem aquele mandamento: "não matarás" - afirmou o Inquisitor. Fitou Lúcifer, fitou Jesus - Quem pensam que são? Como ousam fazer isso na minha casa?
- Vai nos punir? - perguntou Lúcifer.
- Sim, irei. Dúvidas?
- Não duvido quanto a mim. Claro que deixarei que me toque. Mas Jesus - ele não vai deixar. Só aos afogados permite.
O Inquisitor viu Jesus, que não falava. Observava, apenas. Viu s olhos dele - eram azuis. Azuis. Observe os olhos de Jesus. Azuis. Água; você vê água. Ainda mais fundo - vida, você vê vida, você vê movimento. Sombras lutam com sombras. Há luz. No fundo, bem no fundo. Raios. Trovão. Fogo.
- Só terá chance se sentir dor - disse Lúcifer - Meu Jesus tem paixão pela dor. Goza quando vê dor. Teve orgamos na Via Crucis inteira. - Heresia. O Diabo riu. O Inquisitor se aproximou. Colocou dois dedos na testa dele e sentiu. Uma profunda náusea. Quase vacilou sobre as pernas, mas foi tomado por um estranho ímpeto. Suas mãos e pés aqueceram como se tivesse inalado benzina. Os ouvidos zumbiam, a cabeça começou a latejar, leve, sem velocidade, logo com ritmo. Pulsando. Acompanhava o coração. O Inquisitor notou que tinha um coração. Pensou por um instante que sentia o sangue correr e então teve a certeza, e notou todas as partes do corpo. Quase vacilou nas pernas novamente, a cabeça pulsava, tudo se movia, tudo tremia, tudo era oscilante. Ele sabia que devia parar, mas queria sentir, queria desesperadamente sentir. Calor. Suor. Cada vez mais quente. Uma gota percorreu o caminho da testa à boca, que se abriu num grito:
- O Senhor te guardará de todo mal, ele guardará sua vida! - o ar vibrou, o som aumentou drasticamente por um instante - Não - e agora, sem uma só sensação que lhe fizesse tremer, o Inquisitor disse - Não! Não dorme nem repousa a sentinela de Israel.
O Inquisitor riu, dois dedos na testa do demônio.
- Apressa-te, Senhor, em socorrer-me. Sejam humilhados e cobertos de vergonha.
O Inquisitor tentou tocar a testa de Jesus com a outra mão. Não pode. Seus dedos tremeram pouco antes, ele fitou os olhos do messias por alguns instantes, e agora estava protegido. Isolado. Pensou por alguns momentos. Riem-se, os inimigos?
- Mas Deus desferirá flechas contra eles, e de repente estarão feridos!
E uma rajada de pura força branca, luminosa saiu dos dedos do Inquisitor, em um estrondo que varreu o prédio. O diabo vôou alguns metros e chocou-se contra o que era a parede, e agora eram rochas despedaçadas. Não se via o corpo de Lúcifer. Ardia em chamas azuladas e inteiro exalava um fumaça branca. Com os dedos apontados para Jesus, o Inquisitor gritou:
- Cumpra tuas palavras! Ofereça a outra face, Josué!
E Jesus ofereceu. Adiantou-se e sua pele tocou os dedos do Inquisitor. Um instante depois, sangrava fora da cela, dois cômodos depois. Abrira um corredor nas paredes, com o corpo. O Inquisitor completara sua punição. Começou a cantarolar:
- Tu és temível: quem te resiste no momento de tua cólera? Do céu, proclamas a sentença, e a terra paralisa-se de medo.
O canto da Vitória, nos Salmos.
# Postado por: b.m.
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Segunda-feira, Julho 18, 2005
Mais uma morte nos calaboulços da Inquisição

- Niite, o Josué ainda está ai?
- Claro chefe, ninguém nunca escapou de nosso calabouço, e com certeza esse miserável não será o primeiro.
- Pois então vamos vê-lo, faz tanto tempo que não vou lá embaixo que ele já não deve ter nem cicatrizes, ele e aquele outro, qual é mesmo o nome do outro?
- O outro tem vários nomes, você sabe.
- Ah sim - respondeu com largo sorriso - Fiquei muito tempo cuidando da burocracia terrena, destruindo filosofias, espalhando calunias sobre bandas de rock e RPG, que esqueci que somos a entidade mais poderosa que jamais existiu, temos Deus e o Demônio presos sob esse chão - deu mais um grande sorriso - Fabuloso... Fabuloso... Qual quer torturar primeiro? Niite.
- Na verdade senhor...
- Blá - cortou - você não tem que escolher nada, vamos vê-los e lá eu escolho.
Desceram as escadas tortuosas do calabolço secreto do prédio da inquisição, e das 7 celas que existiam, apenas uma estava ocupada. O sacerdote ficou tenso por alguns instantes quando não viu Josué em sua cela, mas logo relaxou, Josué estava na mesma cela que o outro. Jogavam xadrez.
- Ai estão vocês! Há quanto tempo não os vejo! Por onde andaram? - Nenhum dos dois riu da piada, nem ao menos tiraram os olhos do tabuleiro, o Inquisitor se sentiu ignorado, mas contornou a raiva:
- Xadrez ein! Olhando toda essa concentração aprece até que estão decidindo o destino da humanidade - e gargalhou estrondorosamente se vangloriando pela brilhante piada. Ninguém mais riu, ninguém sequer se moveu.
- Mas vamos - continuou vendo que não obteria resposta - se alegrem, hoje é um dia feliz: Dia de tortura - se alegrou com a sonoridade das palavras e sorriu, mas os competidores ignoravam a existência do Inquisitor, O Outro finalmente se moveu para deslizar um peão branco e retirar um bispo sem cor do tabuleiro, o Inquisitor ficou tenso pelo movimento, e não relaxou até que Ele voltasse o corpo à posição original. Olhou para os dois ali dentro, olhou para Niite, este estava rindo, parecia apreciar a jogada.
- Mas por que está rindo Niite, você não sabe jogar xadrez, mal sabe soletrar o próprio nome!
Niite abriu ainda mais seu sorriso e as palavras simplesmente se formaram:
- Eles me ensinaram a jogar, não é apenas divertido, é como uma visão de como o mundo funciona. Um jogo de poder o tempo todo.
Ver Niite falar daquela maneira quase sábia fez subir um frio na espinha do Inquisitor.
- Niite! Abra essa grade, acabe com esse jogo e torture esse maldito Josué!
Niite nem se moveu, continuava observando o jogo. Quando o Inquisitor teve certeza de que ele nem o ouvira, Niite respondeu:
- Não vou torturá-lo - e pontuou com um breve silêncio - será que não é mais sensato aprender com ele? - e olhou dentro dos olhos velhos de alguém que só olhava para dentro - não seria mais... inteligente?
O Inquisitor teve mais um calafrio, os olhos de Niite, outrora vermelhos como se tivesse absorvido todo o sangue que já havia derramado, agora estavam castanhos. O Inquisitor não conseguiu segurar o olhar, de repente fechou os olhos, e caiu em câmera lenta, tendo convulsões fortíssimas. Os outros três apenas observaram as convulsões se transformarem em tranqüilidade e os olhos abertos do Inquisitor perderam o brilho.
# Postado por: Rafael Henrique
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Sexta-feira, Março 18, 2005
o portador da luz e aquele que suporta a cruz. - capítulo 1

Disseram que Lúcifer não existia, mas ele não era um reles duende, uma mera fada, para que pudesse ser destruído com nossas concepções. Por sorte, ou por acertada intuição, os restos do demônio, pedaços de papel que haviam se espalhado pelo chão, foram recolhidos e guardados.
Quando os pedaços explodiram em um nuvem de pó e enxofre, Lúcifer já estava trancafiado em uma das celas da sede da Inquisição; a única delas que podia suportar o poder que ele possuía. A mesma sala em que estava preso o homem que suportou a cruz mais famosa de todos os tempos: Josué. Em um episódio antigo, o messias havia beijado o Inquisitor na boca - uma resposta absolutamente cristã a todos os maus tratos recebidos. O gosto de alfazema e gengibre se misturavam, perpétuos, em sua boca.
"Metáforas", pensou o Grande Inquisitor, "Tudo o que eles são: metáforas. Tudo o que deixam, tudo o que fazem. A vida é uma analogia, uma comparação. E esses dois tem a chave - cada um deles, uma parte que completa a outra"; ele não sabia, mas não podia crer que estava errado. Estudou todos os livros que lhe proibíram, e a Bíblia Magna - aquela reservada apenas aos três escolhidos por ele, o Papa em pessoa. Lúcifer e Jesus, acorrentados. Decidir.
O silêncio. Decidir. O que você perguntaria se tivesse a encarnação do Bem e a personificação do Mal em sua frente? Olhou para Lúcifer - um clichê, quem sabe? Apenas para aquecer. "Responda, diabo. Qual o sentido da vida?"
- Só sei o sentido da minha vida. Não perco tempo com vocês.
- E qual é o sentido da sua vida?
- Dizê-lo seria acabar com minha estratégia - o diabo riu - e nem ao menos tente me desfazer, desta vez não permitirei sua audácia. Não pode me destruir; afinal, sou filho de Deus.
Permitir? - e ele tinha permitido alguma coisa? Por que ele teria vindo até ali? O Inquisitor não falava: era o terreno mais perigoso em que pisava, desde o início do seu trabalho. Lúcifer disse algo, mas o homem estava perdido em seus devaneios. O dia em que recebeu a glória de ser inquisitor; que lhe mostraram o túmulo do cristo, que lhe mostraram o pó de Adão, que lhe contaram sobre a fuga do messias e tudo fez sentido ao mesmo tempo que perdia...o quê?
- Perguntei - disse o diabo, com um sorriso imperceptível - qual é o sentido da sua vida.
- Vivo pela verdade. Julgo. Escolho. Começo. Termino. Demonstro. Isso é a Inquisição. O modo de perguntar e afirmar para sempre. Eu sou a Inquisição.
- Afirmar e perguntar. Você me disse um ciclo. Estou falando de vida. Sentido de vida; e a vida é uma linha reta, não um ciclo. Você começa e você morre. Sabe qual o maior truque de Deus? Fazer as pessoas acreditarem que continuam com a vida que tinha. Que continuam. Não sobra nenhum resquício do que ela pensava que era.
Jesus permanecia em silêncio, e o pai das mentiras continuava falando o que parecia com verdade. Mas a Inquisição era a verdade, e o homem era a Inquisição. Ele podia decidir. Decidir. O sentido de existir do bem e do mal está dentro deles; o sentido da vida de qualquer um está no caminho da boca pra cabeça, da mente pra língua, por toda a vida. Não era isso que devia perguntar. Decidir. O que você perguntaria a personificação de tudo que é bom e a encarnação de tudo que você teme?
# Postado por: b.m.
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Terça-feira, Março 08, 2005
O Advento da Inquisidora

O Inquisitor abriu de novo aquela carta, não podia ser... uma mulher? Mas isso era demais! Classificá-lo como incompetente e ineficiente; dizer que sua sede não está cumprindo com as expectativas do grupo e ainda mandar um outro para ajudar a reestabelecer a franquia ainda vá lá, mas uma mulher?
Uma mulher era demais, era um tapa na cara, uma humilhação!

***
Ela abriu a porta da sede como se estivesse se apossando do lugar. Deu uma olhada a seu redor, as paredes altas, os pilares, aquele imenso vazio da sala, não a diminuiam, pelo ontrário, pareciam a cena perfeita para aquela figura, e ela sabia que sim. Sorriu. Ela fitou a secretária por trás dos óculos escuros e já deu sua primeira ordem:
- O que está olhando? Anda! Mande alguém vir buscar minhas coisas e levá-las à meus aposentos!
A secretária sem reação olhou pro lado e viu no corredor, meio que se escondendo do furacão que acabara de entrar, Niité, e fez um pequeno movimento com cabeça, indicando que seria ele quem teria que levar a bagagem. Ele se aproximou meio trêmulo, mas mais incomodado pela presença dela do que realmente com medo e com algo como um ¿por aqui por favor¿, abafado pelo peso das malas, ele saiu acompanhado dela.

A secretária, petrificada, finalmente acordou do tranze e interfonou para a sala do chefe.
- Ela chegou, o que o senhor vai fazer agora?
Ele meio que sem jeito, disse qualquer coisa para dispensar a secretária e se levantou, iria encontrá-la antes que ela começasse a fazer os estragos típicos de uma mulher. Sem bater à porta, ele invadiu o quarto e quando a viu, parou:
- Seja bem vinda à sede, Inquisitora.
- Oh, please, sem falsidades ou sarcasmos. Você não está nem um pouco feliz com minha presença aqui. Eu vou só me estabelecer e já lhe encontrarei no seu escritório. Podemos pular o protocolo.
- Como queira.
Ele não estava gostando nem um pouco daquela situação. Como poderiam ter feito isso com ele? Mandarem uma mulher ... mas bom, talvez esse fato na verdade servisse para algum proveito, uma mulher certamente é mais delicada, mais facilmente manobrada, com certeza. Um sorriso e pensamentos malévicos lhe tomaram conta da mente...
- Senhor. Senhor! Desculpe-me mas não tive como anunciá-la, ela simplesmente me ignorou...
- Está tudo bem, saia daqui.
- Não a castigue, ela realmente não conseguiu me frear, aliás, ninguém consegue. Mas vamos ao que interessa. Eu li os relatórios, todos eles, desde o início. Isso aqui costumava ser uma sede respeitável, promissora, com um futuro brilhante pela frente ainda mais por estar num país que é um antro de perdição. Com todos os carnavais fora de época, com O Carnaval todo ano, um país de terceiro mundo, com prostituição e sabe Deus o q mais e vocês ainda conseguem um jeito de fazer tudo ir por água abaixo, de chegar bem perto de abrir falência! Nem a vizinhança respeita mais vocês, ficam de fuxico na porta, dando conta de tudo. Vocês não têem a mínima discrição, todos os conhecem! Aparecem em rede nacional! É por isso que isso aqui não vai pra
frente!
- Eu não vou adimitir que a senhora continue com esses insultos! Eu e minha equipe trabalhamos duro para manter isso aqui aberto e...
- E nada! Bom, mas deixando o prazer de lado, foi para isso que fui enviada aqui, para colocar tudo nos seus devidos eixos e isso funcionar como uma máquina! Estou cheia de idéias e sei que o senhor terá prazer em cooperar comigo, estou errada?
- Humph...
- Hoje eu ainda vou fazer um reconhecimento da sede e conhecer um pouco a vizinhança. Amanhã a minha equipe chega e aí sim, conseguiremos fazer alguma coisa.
E saiu da sala tão tempestivamente quanto entrou. O Inquisitor ficou ali, parado, estupefato, não conseguia acreditar mas algo o incomodava demais, algo além do fato de ela ser mulher, algo nela o trazia à repulsa. Mas o que ela tinha dito? Equipe? Era só o que faltava, na certa um bando de mulherezinhas que pensam que sabem de algo. Mas a verdade estava do lado dele, ela sabe disso, mulher não serve pra fazer esse tipo de trabalho, isso foi uma das poucas lições que a Inquisição conseguiu plantar no povo e todos sabiam disso, ela falharia e aí sim, ele retornaria à sua glória.

(post feito pela juli, do Telhado.)
# Postado por: b.m.
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Domingo, Fevereiro 27, 2005
No Jô

"O meu próximo convidado é uma das mais respeitadas figuras religiosas do Brasil. Queiram receber o ilustre Inquisitor..."
Ninguem consegue ouvir o nome do Inquisitor acima do aplauso, que continua por mais de um minuto. Após abraçar o Jô, o Inquisitor senta-se no sofá e abre seu melhor sorriso. "Ora, Jô, é uma alegria imensa estar aqui."
"Mas não tão imensa quanto a sua alegria em arrancar confissões através de tortura, hein?"
"Não, mas talvez um pouco mais imensa que sua forma adiposa."
Os dois riem longamente.
"Diga, Inquisitor, por mais que seu trabalho seja respeitado pela sociedade, como é que se explica a popularidade da inquisição? Todos nós respeitamos aqueles que ajudam melhorar a sociedade, mas a inquisição é pop, é uma instituição quase tão amada quanto o futebol! Como você explica isso?"
"Simples. Permita-me fazer uma demonstração. Antes de eu entrar, seu entrevistado foi o Gerald Thomas, correto?"
"Sim, foi sim."
"Óquei." O Inquisitor estala os dedos com um grito: "Apreendam-o!"
Imediatamente, cinco guardas da inquisição se jogam sobre o Gerald Thomas, que mal consegue se levantar de sua cadeira antes de ser derrubado ao chão, algemado, e trazido para frente do Inquisitor.
"Agora, falando sériamente." Diz o Inquisitor para a platéia, "Vocês acabaram de aplaudi-lo. Vamos falar sério, por favor. Tem alguem aqui que realmente gosta do Gerald Thomas?"
A platéia mantem-se em silêncio.
"Vamos lá, não tenham medo. Quem admira o trabalho do Gerald Thomas?"
Silêncio.
"Ao menos levantem a mão, vamos lá."
O Derico cautelosamente levanta sua mão direita, e é imediatamente atacado por seus companheiros de banda. Ele resiste, mas cai desmaiado após ter a cabeça esmagada entre uma guitarra e um teclado.
"Então," diz o Inquisitor, sorrindo, "vemos que ninguem gosta do Gerald Thomas. Nem o próprio Gerald Thomas aguenta ser Gerald Thomas!"
Thomas começa a dizer "Mas isso é um absur-" antes de ser nocauteado por um guarda.
"Bom trabalho, Niité. Bem, como eu dizia, ninguem gosta do Gerald Thomas. E o fato de que nós estaremos o perfurando com palitos de aço amanhã faz as pessoas sorrirem, dá um pouco mais de alegria para suas vidas. Lembram de quando pegamos o Miguel Falabela?"
Os olhos do Jô se acendem com alegria. "Sim, sim! Aliás, o que vocês fizeram com ele?"
"Nada. Só o colocamos numa jaula, e demos a ele todos os jornais. Após alguns dias de reportagens celebrando o fato de que ele nunca sairía da cadeia vivo, ele ficou louco ao ver que ninguem mais comentava sobre ele. Ninguem. Nem uma reportagem, um editorial, nada. Ele não aguentou ser esquecido."
"E então?"
"E então deixamos ele vivo, atormentado, lendo os jornais todo dia, de cabo a rabo, esperando ver uma menção de seu nome. É muito divertido vê-lo nos acusando de editar os jornais. Agora ele insiste ver os jornais internacionais também!"
"Ha! Silly bastard."
"Pois então. As pessoas não ligam se perdem parentes, amigos, esposos, filhos, desde que, ocasionalmente, nós os livremos de alguma celebridade que ninguem suporta."
"E o trabalho, é muito difícil?"
"Não, não, é um prazer. Junto com meus assistentes, Niité e Florença, e co-ordenando operações de apreensão de heréges com o Sumo-Sacerdote regional e os outros Inquisitores de nossa divisão, ser Inquisitor é um dos trabalhos mais gratificantes e divertidos que existem. Desde que você goste de torturar pessoas, quebrar o espírito de rebeldes, matar sem piedade, et cetera. Mas pra mim, essas são as melhores partes do trabalho."
"E então, você vai levar o Derico?"
"Não, não... eu gosto dele. Mas reduza seu salário pela metade. E dispense muito abuso verbal, especialmente enquanto vocês estiverem no ar."
"Muito bem, se você mandar..."
"É essa a atitude que adoro em você, Jô."
"Bem, é sempre bom tê-lo por aqui."
"Que isso, a entrevista já acabou?"
"Pois é... mas voltamos daqui a pouco com os comerciais. Não saiam daí!"

Entram os comerciais, e o Inquisitor sai do estúdio, desferindo tapas sobre a cabeça de Gerald Thomas, que ainda tenta lutar contra os guardas, sem sucesso.
# Postado por: John Santos
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Quinta-feira, Fevereiro 24, 2005
interlúdio.

Um ritual de magia negra. O demônio invocado com o cabelo de uma moça loira e virgem. Um homem de terno surge no centro do pentagrama, e quinze metralhadoras atiram. O inquisidor caminha entre os corpos do ocultistas.
"Então você é o inimigo?"
"Não sou inimigo de ninguém. Vocês são meus inimigos. Em algum momento da sua vida, ouviu falar de ações minhas para atacar alguém - e não juntar esse alguém a mim?"
"Nunca."
"Sou o único cristão. Vocês me atacam todos os dias, e eu viro a outra face. Vocês seguem as minhas idéias, não dão crédito. E eu permito. Usam meu nome para erigir bases sólidas de religiões, e eu não me importo. Sou o único cristão."
"Jesus diria isso. Nós não."
"O quê?"
"Jesus te beijaria na boca. Jesus te colocaria no colo e te cantaria canções. Nós não. Nós somos maus."
"Não quero briga pra ninguém. Vocês querem sorrir, eu os faço sorrir. Foi pra isso que ELE nós criou, os anjos. Nunca fui um carcereiro com os outros."
"Você não existe."
"O quê?"
"Você não existe..."
E o demônio definhou, se decompondo em dezenas de pedaços triangulares de papel. Assim como as fadas, Lúcifer morria se afirmassem sua inexistência. Só palmas poderiam levá-lo a vida, mas havia ordens explicítas contra tal ato.
# Postado por: b.m.
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Sexta-feira, Dezembro 31, 2004
"Já passou de 125 mil, agora sim Jesus vai aparecer para ajudar. Você vai ver!"

Religioso dizendo que isso é uma profecia para o final dos tempos



Viram isso? Afinal são 2004 anos de vida né, e como presente nada melhor que 125 mil almas novinhas, dentre as quais muitas nem tiveram tempo de pecar.

Sim, foi obra dele, no entanto deve ter algo de racional que um racionalista pode tirar. Vamos às conjecturas:

Digamos que Deus quer que o mundo entenda o quão importante é ajudar ao próximo, e como ele percebeu que usar a psicologia do medo (nos ameaçando com o inferno) já não faz efeito, então criou uma catástrofe, assim os países ricos (ou não) são obrigados a ajudar as 5 milhões de pessoas que estão incapacitadas de obter o mínimo para sobreviver.

Ou talvez o plano seja mais audacioso. Quem sabe uma volta com a seleção natural, afinal "carros passam e jogam comida. Os mais rápidos pegam, os mais fortes ganham. Os idosos e os feridos ficam sem nada." Se acontece uma dessas em cada continente teríamos um novo tipo de humano em 5 gerações. Um ser mais forte, mais rápido, e que sobrevive com menos nutrientes e água.

Ou quem sabe o mundo é realmente um ser vivo e se sacudiu um pouco para se livrar das pulgas? Essa é interessante ein. Hehe!

Deixando o humor negro de lado iniciantes, devo dizer que por causa desse acontecimento nós teremos muito mais trabalho. Ou seja: As férias acabaram, coloquem suas salas em ordem e voltemos ao trabalho.
# Postado por: Rafael Henrique
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Domingo, Outubro 03, 2004
O primeiro texto da Inquisição está postado agora na Usina de Letras, o de estréia do John, logo aqui embaixo, Torturando Josué. Descobri que sem trinta e quatro reais, nada de cadastro próprio, portanto, na minha própria conta. Para achar, basta usar a busca. Digam lá os que acham que tem que ir por site. Reescrevam alguma coisa incerta, inquisitores.
# Postado por: b.m.
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Segunda-feira, Setembro 20, 2004
na frente da Inquisição.

"Vão fechar mesmo?"
"Parece que sim."
"Eles faziam o quê aí?"
"Dizem que mandavam no mundo. Só que pelas escondidas. Controlavam nossa cabeça, sabe?"
"Ah. Sei."
"Sabe o que vão fazer agora?"
"Não. O quê?"
"Um deles abriu um cabelereiro. Pelo menos é o que disseram. Um cara lá meio paranóico disse que todo cabelereiro é um policial do FBI disfarçado, conversando sobre política com os velhos e formando opinião."
"E lá foi um Inquisitor. Cortes de cabelo mais inovadores e cabeça abaixo. Bonito. Já viu aquele que corta tudo dos lados?"
"Nome de índio, né?"
"É. Como naquele filme."
"Falam que é protesto."
"Ô, bem lembrado. Um outro inquisitor se enfiou em grupos de jovens anarquistas. Aqueles de treze anos. Falou que revolução é quebrar semáforos. Acha que assim inutiliza setenta e cinco por cento de possíveis homens-que-mudam-o-mundo."
"E o outro?"
"Esse aí resolveu acabar com toda e qualquer chance de transgressão. Resolveu utilizar algo que já haviam inventado antes, na natureza."
"Inutiliza todo mundo? O quê?"
"Inutiliza. Todo mundo, alguma hora. Perseguindo todos até o fim. Ela vai fazer campanha, dizer que é necessário."
"O que, porra?"
"Ora, você sabe. O Amor."
# Postado por: b.m.
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Domingo, Julho 18, 2004
num corredor qualquer da Inquisição.

*Elvis, sentado, põe um cd em seu discman e principia a ouvir, em volume máximo. Segue a letra da música que ouvia, já que nenhum Inquisitor aqui parece trabalhar:*
"Pai, precisa me ensinar,
eu quero reagir, não pode ser assim!
Filho, eu vou te ajudar,
vamos sentar e orar, tudo vai melhorar.
Mas, não se esqueça de comungar e sempre acreditar,
você precisa subir ao céu!
Pai, preciso entender,
tanto sofrimento e tanta provação,
porque deve ser assim?
Filho,
esta vida é passageira,
é melhor ignorar,
se preocupe em se salvar.
Pois o paraíso te espera,
viva e obedeça,
você não vai se decepcionar!"
*Ele desligou o discman, e observou a capa do cd. Dead Fish, Sonho Médio. A música se chamava Fragmentos de um Conflito Imi
# Postado por: b.m.
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Domingo, Junho 20, 2004
um funcionário recém-contratado da Inquisição.

*Elvis estava sentado num dos mil e cinquenta corredores da Inquisição - avenidas com lâmpadas fluorescentes a cada metro, piso de mármore branco com desenhos vermelhos, que, dizem, feitos com sangue de infiéis. Também havia bancos de mogno com cinzeiros e saquinhos de balas para crianças. Ao lado de Elvis, o homem que o contratou.*
"Tudo o que foi dito desde que a Inquisição abriu as portas, foram mentiras bem contadas. Nada mais. O trabalho foi perfeito por sete séculos", *disse o contratador, enquanto cheirava os dedos*
"Sete séculos?"
"Ou mais. A Inquisição abriu bem antes de todos saberem.", *o homem olhou pro lado, viu o que Elvis lhe oferecia, tomou em mãos, fumou, prendeu, soltou. Deixou a cabeça cair na parede e disse: "Tem que ver os textos da Biblioteca de Alexandria, ou todos os outros que foram apreendidos."
"Uma coisa que eu sempre quis saber, é sobre o Inquisitor Maluco. Todos aqui falam dele. Há textos dele lá?"
"Muitos. Mas todos têm medo do que ele diz. Chamavam-no de Cérebro, até."
"Era inteligente demais mesmo?"
"Não. Por causo do rato. Pinky e Cérebro, ele ficava pensando em dominar o mundo, enredar as pessoas numa ilusão. E era algo que nunca daria certo."
*Elvis pegou o cigarro de volta, fumou, prendeu, soltou. Perguntou:* "O que ele disse?"
"Ah. Maior maluquice. Ía criar diversos tipos de governo, e espalhar. As pessoas irão lutar pelas idéias que lhes fossem convenientes. Muitos só fariam pra não ter que trabalhar. Ele disse que parava setenta por cento dos jovens promissores com isso. Disse que podia fazer o mesmo com as religiões, eles só teriam que estar ligadas a um preceito básico."
"Quê preceito básico?"
"O mesmo dos partidos e sistemas. A salvação. Toda idéia salva - a única coisa que é verdadeira, não-animal, não controlada, é a auto-destruição.", *e o homem mordeu os dedos*.
"Essa idéia é sua?"
"Não. Houve um preso aqui que disse isso uma vez."
"Esse negócio do Inquisitor Maluco. É tipo um condicionamento em tempo real - os biscoitos são alí, aponte seu focinho. Objetivos são prisões. Sei bem disso."
"Ele disse também que faria faltar comida de tempos em tempos. Só que era em ambito mundial. Um país tinha guerra e outro não, um tinha fome e outro não, um desses tinha que ter tudo. Ele queria incitar esperança, agradecimento, ódio. Disse que poderia usar a Lúxuria, fazendo com que sexo fosse comum, inventando algo que o bloqueasse um pouco, e deixando que as idéias antigas criassem hipocrisia."
"Por que as pessoas têm medo dele?"
"Ele disse que iria usar a Inquisição, que iria usar tudo. E ninguém iria perceber. Por conta da mesma hipocrisia. Ele disse que um pouco de hipocrisia dá espaço para mentiras pessoas, logo, mentiras sociais - pequenas, médias, imensas. Tá escrito no texto dele: saber é conseguir criar discórdia. É, num quebra-cabeças perfeito, amassar e rasgar a borda das peças."
*Elvis pegou o baseado, fumou, prendeu, soltou. Ofereceu, mas o outro disse que já estava satisfeito. Elvis começou a cantarolar algo que sôou como "babidaudubababidou-dû", e o outro pegou um pote com algo marrom dentro. Enfiou o dedo dentro. Cheirou.*
# Postado por: b.m.
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Quinta-feira, Junho 17, 2004
Entrevista de Emprego

O Inquisitor percebeu que as ações da Inquisição S.A. estavam caindo, e por pressão dos patrocinadores e acionistas ele, finalmente, resolveu colocar nos classificados que precisava de uma linda mulher para estrear em um comercial de televisão. Ficou com a primeira candidata, veja por que:

O Inquisitor está sentado à sua mesa, com a cadeira virada para janela, fumando um "charuto freudiano".
- Mande ela entrar então - diz à Florença do outro lado da linha.
Uma loira escultural entra na sala, dá um tímido "boa tarde" que não é respondido, olha (com seus lindos olhos azuis) toda a sala, até que o Inquisitor se vira:
- Sente-se - e mascara seu espanto ao se defrontar com beleza tão impressionante - fique à vontade.
A loira se sentou e cruzou as pernas sob sua mini(micro)-saia e sorriu, para delírio do nosso sacerdote. "Mulheres gostosas assim são extremamente burras", foi o primeiro pensamento dele.
- Vamos começar com uma campanha de marketing, e precisamos de alguém como você. Não por seu suposto talento, apenas pela sua aparência. Ou seja, seu corpo será usado da maneira que bem entendermos, e você assinará um contrato averiguando tudo isso. Consegue me entender?
Ela manteve um sorriso no rosto com o olhar de quem parece entender tudo mas em verdade as palavras estão fazendo eco na cabeça até agora.
- Terei que falar alguma coisa?
- Não minha filha, de maneira alguma. Você simplesmente vai atender um telefonema, a Florença vai dublar sua voz, daí os telespectadores ligarão só de pensar que estão falando com você, quando na verdade escutam a voz de nossa doce Florença.
- Então não tenho que falar nada?
- Não! De maneira alguma. Terá apenas que mexer a boca um pouco. E fará alguns testes antes para ver se tem competência para mexer a boca com sincronia. E demonstrar um simpatia ignorante que as pessoas adoram. Pois todos gostam de se defrontar com semelhantes na telinha.
- Eu sei mexer a boca muito bem - sorriu maliciosamente, era apenas esse atestado que o inquisitor precisava
Empolgou-se:
- Claro que sabe, e vai mostrar agora, entre debaixo da mesa, faremos o primeiro teste.
A moça simplesmente deixou a bolsa sobre a mesa e se ajoelhou para entrar debaixo da mesma:
- Antes disso posso lhe pergunta algo?
O inquisitor se aterrorizou por alguns instantes, já pensando no advogado que iria ligar.
- Sim minha filha, diga.
- Quanto eu vou ganhar?
- Ora! - suspirou - claro que não ganhará nada da gente, no entanto pense em quantas propostas de revista masculina você vai receber depois disso.
- Ahm. É mesmo né! - E se enfiou para debaixo da mesa, para fazer o primeiro teste, que possivelmente foi muito bom, já que passou de primeira, e agora tem permissão especial para entrar no escritório dele.
# Postado por: Rafael Henrique
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Terça-feira, Junho 08, 2004
No Supermercado

"Niité! Onde está Florença?" bradou o Inquisitor, tentando achar um caminho por entre corpos e lixo esparramados no chão. "Niité! Onde está Florença? E onde está você?!"
"Aqui, senhor, na cozinha." respondeu Niité, saindo da cozinha branca e limpa e indo ao Calabouço Central.
"E onde está Florença? Ela deveria estar aqui faz horas."
"Ela tá doente. A irmã dela ligou agora há pouco, disse que ela tá com pneumonia."
"Pneumonia?"
"É. Mas ela volta semana que vem."
"O que?!"
"Foi o que a Messalina falou."
"Messalina?"
"A irmã da Florença."
"Ah. Muito bem." O Inquisitor suspirou, resignado. "Acho que podemos viver sem Florença por alguns dias. Afinal, ela é apenas uma mulher, e qualquer trabalho que ela fazia, nós podemos fazer melhor, e em pouco tempo." O Inquisitor sentou-se sobre uma jaula de ferro e olhou em direção a cozinha. "Então você estava na cozinha para preparar o almoço?"
"Bem... eu ia preparar o almoço, mas..."
"Mas o quê?"
"Mas nós não temos nada."
"Como assim, nada? Não fazem três dias que a Florença comprou suprimentos!"
"Mas hoje de manhã o Sumo-Sacerdote veio tomar café da manhã aqui e..."
"E ele comeu tudo?"
"TUDO, não. Mas a omelete que ele fez era bastante elaborada..."
"E o que não entrou na omelete?"
"Alguns biscoitos... que eu comi enquanto estava na cozinha..."
O Inquisitor pensou em matar Niité, mas passar uma semana sem Florença e sem um lacaio seria difícil, e bons lacaios são difíceis de encontrar hoje em dia. O Inquisitor lambeu as pontas dos dedos e estreitou suas sobrancelhas. "Vamos ao Supermercado, Niité."

"Carrefour é um nome francês, Niité."
"E daí?"
"E daí que francêses são pervertidos. Eles pintam os rostos e usam boinas e fazem biquinho ao falarem tudo. Eles são grandes amantes da sodomia e do vinho, e seus queijos são fedidos."
"Mas não tem nada disso lá! As pessoas lá dentro são brasileiras."
"Brasileiros são vulgares. Eles são viciados em sexo, e suas danças são por demais lascivas. E eles não tem higiene. E.."
"Ok, ok, mas aqui não tem nada disso. É só um supermercado. É perfeitamente inocente."
O Inquisitor sorriu cruelmente. "Ora, Niité, você se esquece da nossa filosofia."
"E o que é isso?"
"Ninguem." disse o Inquisitor, passando a mão sobre o queixo ligeiramente," Nem nada, é perfeitamente inocente. Vamos lá, então. Se tivermos sorte, acharemos algumas almas que necessitam purificação."

"MORRA, INSTRUMENTO DE SATANÁS!!!"
"Calma, senhor, calma. A gente pega outro carrinho aqui e.."
"Não! Temos que ensinar a este carrinho qual é o preço da rebeldia."
"Mas não é rebeldia, é essa rodinha que tá emperrada. É só colocar um pouco de graxa que..."
"Não. Não podemos apenas dar uma solução temporária e deixar este carrinho. Se ele não aprender obediência nas mãos de um servo do Altíssimo, ele sofrerá!"
Com isso o Inquisitor levantou o carrinho com as mãos e arremessou-o contra a parede. Um funcionário correu para onde eles estavam, tentou mandar o Inquisitor ir embora e também foi arremessado contra a parede. Niité chegou com um carrinho que funcionava sem problemas e puxou o Inquisitor pelo braço até entrarem no supermercado.

O Inquisitor examinou uma pilha de maçãs enquanto Niité estava comprando carne. Ao voltar, Niité comentou,
"Essas maçãs não parecem estar muito frescas."
"Eu sei." disse o Inquisitor, carrancudo, pegando uma maçã e dando uma mordida. Um segundo depois ele cuspiu, irado, expelindo pedaços de fruta ao ar. "Estas maçãs buscam me irar com sua mediocridade! Morte áquele que as colocou na pilha!"
Com isso ele arremessou a maçã contra um funcionário adolescente, que, se virando para ver quem havia jogado fruta nele, recebeu uma maçã na cara, e mais outra. Logo o Inquisitor estava sobre ele, esmurrando pedaços de maçã violentamente para dentro de sua boca.
"MORRA! MORRA! MORRA!"
"Vamos sair daqui, senhor!" exclamou Niité, arrastando o Inquisitor para longe do garoto (que, sufocado, tinha o mesmo rubor que as maçãs estufadas em sua boca) e empurrando o carrinho rapidamente.
"Minha fome é tremenda, Niité." disse o Inquisitor, bufando. "Vamos para a ala de biscoitos."

"Mmmm, oreos!" disse o Inquisitor, entupindo as bochechas com biscoitos de chocolate.
"Senhor, não podemos comer antes de pagar pela mercadoria, senão... ai!" Niité se calou ao ter um pacote de Cream Crackers lançado contra seu rosto.
"Io nom chigco ash leish toch ohmemsh" disse o Inquisitor, pedaços de biscoito saindo por entre seus lábios. "mash apeina a liesh de Teus."
"Não fale de boca cheia, senhor." disse Niité, desviando-se de outro pacote de biscoitos arremessado em sua direção.
O Inquisitor terminou de comer e perguntou, "O que vamos pegar agora?"
"Refrigerante, meu senhor. E arroz e feijão, que ficam perto, e então estaremos prontos para ir."
"Ei você!" gritou um segurança no fim do corredor, com três funcionários aterrorizados atrás dele. "largue os biscoitos e venha com as mãos pra cima!"
"Cuide dele, Niité." disse o Inquisitor indolentemente. "Eu estarei pegando o refrigerante de minha escolha. E sorvete, se tiverem de abacaxi."
Com isso o Inquisitor rapidamente saiu na direção oposta ao guarda, enquanto Niité enrolava as mangas e pegou duas latas metálicas de biscoitos dinamarquêses.

"ONDE ESTÁ O PEPSI TWIST!?" gritou o Inquisitor, irado.
"Nã-não tem m-mais." chorou a jovem funcionária, prostrada, erguendo suas mãos para defender o rosto.
"MORRA!"
Niité chegou e segurou o braço do Inquisitor antes que ele pudesse rachar o crânio da menina com uma garrafa de cerveja.
"Calma, calma! Não tem mais esse tipo, mas tem pepsi normal!"
"Não quero pepsi normal! Quero Pepsi Twist!"
"Tem coca-light com limão! Você não quer esse?"
O Inquisitor se desvencilhou de Niité e tentou acertar sua cabeça com a garrafa, batendo ao invés disso contra a porta de vidro da geladeira, que se despedaçou junto com a garrafa. Desesperado, Niité, apontou para a geladeira do lado.
"Olha, tem sorvete de abacaxi!"
O Inquisitor largou a boca da garrafa e, sorrindo, foi á geladeira e retirou uma embalagem de dois litros de sorvete.
"Pegue um guaraná, Niité. Vamos pegar o arroz e feijão e voltar para o escritório.

"Pronto," suspirou Niité, aliviado. "Vamos pra casa."
"Não, espere." disse o Inquisitor. "Esse arroz não é da marca boa. Pegue um pacote da marca boa."
"Mas essa marca é boa! Só porque não tem um desenho na embalagem não quer dizer que é pior que as outras.
"Não seja insolente, Niité. Pegue um arroz do Tio Ribaldino e jogue este arroz herége fora."
"Ok, você é quem manda..."
"Mãos para o alto!" dessa vez eram quatro seguranças (eram cinco no total tomando conta do supermercado, mas o quinto tivera sua cabeça esmagada entre duas latas de butter cookies.) e eles estavam apontando suas armas aos dois.
"Tolos! Eu sou um oficial da Inquisição; guardem suas armas ou eu os assarei sobre um espeto!"
Os guardas continuaram com suas armas apontadas e começaram a se aproximar.
"Não se aproximem! Não se aproximem! Eu sou um servo do Altíssimo, ninguem ouse me tocar!"
Os guardas chegaram a três metros de distância do Inquisitor e já se preparavam para pegá-lo quando uma explosão fez o chão tremer. Uma série de pequenas bombas colocadas dentro das prateleiras fizeram explodir centenas de sacos de arroz, açucar, farinha e feijão. Uma chuva de grãos e pó branco encheu o supermercado, enquanto um grupo de homens de preto derrubavam prateleiras e pisavam nas frutas e legumes. Os guardas, confusos, correram para fora, e o Inquisitor e Niité procuraram fugir também, mas seu caminho foi bloqueado por um homem de preto com um rosto familiar... O Inquisitor arregalou seus olhos.
"Bem vindos ao Projeto Caos!" saudou o homem, encarando-os selvagemente.
O Inquisitor arregalou seus olhos.
"Você! Você era um prisioneiro! Eu pensei que o Sumo-Sacerdote havia..."
"Não." disse o homem, sorrindo malignamente. "Ele me deixou ir, depois de me dar uma boa surra."
Ele chegou perto deles e os empurrou para trás, uma faísca insana brilhando sem seus olhos.
"Estamos mortos." sussurrou Niité, angustiado.
Tyler riu em voz alta, apreciando o caos á sua volta.
"Vocês tem que aprender que um dia vocês irão morrer." disse Tyler, "Mas não será hoje."
O Inquisitor o fitou com ódio, mas manteve-se quieto.
"O chefe de vocês me deixou ir." disse Tyler, afastando-se. "Eu hoje retribuo o favor. Vão, peguem suas compras, e saiam o mais rápido que puderem."

De volta á Sede da Inquisição, Niité guardava as compras e preparava o almoço enquanto o Inquisitor sentava em seu trono de ferro, meditando. O homem selvagem os havia deixado sair. O Inquisitor fechou seus olhos e viu o homem, seu rosto coberto de cicatrizes, seus lábios formando um sorriso maroto. Ele já foi um prisioneiro da Inquisição. Ele já tinha sido castigado com chicotes e queimado com pontas de cigarro e já foi amarrado á postes de ferro, e ainda assim ele não aproveitou para mata-los. Porque? Que motivos ele teria para deixa-los ir? Uma voz dentro dele (uma voz muito pequena, muito baixa, há muito tempo esquecida) disse Misericórdia. O Inquisitor riu, não cinicamente ou amargamente, mas com surpresa infantil, quase inocente. Misericórdia! Aquilo não existia, ninguém fazia nada por aquilo.

Misericórdia! riu-se o Inquisitor, olhando para os prisioneiros feios, chorando em suas celas.
# Postado por: John Santos
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Sábado, Maio 29, 2004
Um certo Black Mage na sala de tortura

BM sentado em silêncio (pois estava amordaçado com arame farpado), amarrado na cadeira de tortura sob os olhares de Niite e do Sumossacerdote.
- Agrham - o sacerdote limpa a garganta - Então quer dizer que você anda espalhando meus sonhos ein. - e dá um chute tímido na canela do BM - eu poderia lhe perguntar a forma com o qual você utilizou para entrar em minha mente mas o seu nome já diz tudo seu maldito Mago Negro.
O Sumossacerdote ia se aproximar de BM para lhe dar um soco, mas voltou atrás.
- Niite, dê um soco nele - meio temeroso o Niite se aproxima de BM e dá um golpe com a maça estrela, rancando um bocado de sangue da boca do Mago. BM apenas ri por baixo da mordaça.
- Eu vou te queimar na fogueira, e tamparei sua boca e nariz para que você sinta cada parte de seu corpo ser derretida pelo fogo celestial. E assim aprenderá que os sonhos mais íntimos dos servos de Deus (padres, pastores e sacerdotes) não devem ser revelados à multidão. Pois eles não entenderiam a mecânica da salvação se os milagres não existissem. Temos que mostrar o sobrenatural para que eles abram os olhos para a verdade de Deus. E você não deveria nunca questionar isso... Niite. - o carrasco se aproxima de BM novamente e lhe dá uma chicotada no peito, e puxa fortemente devido aos pregos terem garrados na carne do Mago, o sangue escorre. BM permanece em silêncio e seus olhos vermelhos começam a brilhar com mais força.
O Sumossacerdote vira as costas para BM enquanto continua:
- As pessoas precisam de perceber que Jesus não era apenas um humano, e sim que era uma divindade, e por isso deve haver milagres. Você não tinha o direito de revelar essa outra versão, e por isso, o fogo dos céus vai ter direito de transformar seus ossos em cinzas.
BM derrete as cordas, mordaça e cadeira com sua magia e se levanta silenciosamente.
- Chefe! - fala Niite assustado.
- Sim Niite, pode queima-lo. - resmunga o sacerdote sem se virar.
- Chefe!
- Queime o desgraçado, pode queimar.
- Não chefe, não é isso.
Quando o sacerdote olha para trás o Niite está amarrado na cadeira de tortura e amordaçado com arame farpado.
# Postado por: Rafael Henrique
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Segunda-feira, Maio 24, 2004
O Sonho do Sumosacerdote da Inquisição.

*o sumosacerdote tinha tido um dia difícil, e demorara cinco horas para retirar completamente o sangue do hippie maluco de seu corpo. Deitado em sua cama, ele contava inocentes degoladas pulando a cerca, e caiu no sono.*
*e, então, ele teve o sonho mais estranho de toda a sua vida. O Sumosacerdote sonhava com Jesus Cristo, só que não era o Messias impávido, intocável e sem erros de sempre...era só um adolescente querendo arrumar dinheiro para beber um bom vinho nas tavernas. No sonho do Sumosacerdote, Jesus gostava de vinho deveras.
*E o Sumosacerdote viu Jesus conversando com um homem:
"Vinho é bom mesmo, né, companheiro? Acho que o negócio já faz parte de mim. Tenho sangue não. O vinho é meu corpo inteiro.", ele disse.
"Minha mulher me deixou.", e vê-se que este era um bêbado bastante prático; sem toda aquela ladainha de se conhecer. Eu quero falar sobre a vadia da minha mulher. Se quer ficar nessa cadeira, fale também, e isso é tudo.
*o Sumosacerdote, entretanto, não pode ver o fim da conversa. Aconteceu como se tudo fossem programas de televisão, e alguém apertasse continuamente o controle remoto. Cenas passavam, e o Sumosacerdote, mero telespectador, mero instrumento daquilo que deveria estar entretendo apenas, entendeu tarde o que viu cedo, juntou as partes e considerou sua conclusão.
*O sonho mostrava as parábolas, e Jesus as aprendera errando como o personagem.
*Viu Jesus decidindo ir beber um pouco de vinho e surrupiar pão do mercado antes que os donos voltassem, esquecendo-se de dar atenção aos trabalhos de casa, e todo o tempo de fome que passou. Observou enquanto Jesus trabalhava em uma fazenda e, por negligência, deixara um árvore mais torta que as demais por lá - e o negócio acabou por espalhar saúvas por toda a plantação.
*O Sumosacerdote fitou Jesus abandonando sua casa para morar com uma prostituta bastante jeitosa - o que lhe deu certo gosto pelas tais - e voltando com o rabo entre as pernas. De relance, Jesus ganhando de um rabino num jogo de cartas, após ter dito: "Sou pobre, mas sou rabino se ganho de rabino!", e assim passaram a chamá-lo. Em meio a dois pontos-de-vista, notou que ele tratava com um mendigo:
"Vá lá e se finja de deficiente que eu vou e te faço andar. E nós dois vamos ficar ricos".
*Ele estava para ver as dezenas de planos que Jesus redigiu para derrubar o Império, mas preferiu-se por outro canal, e este mostrava Jesus colocando nas calças de um menino, meio pote de mel e barro. E Jesus saía zombando, gritando: "Judas, Judas, todo melado, cheio de barro! Judas, Judas, bunda de mel, fazendo escarcel!".
*E então o Sumosacerdote acordou, tremendo.*
# Postado por: b.m.
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Quarta-feira, Maio 12, 2004
Agência de Atendimento da Inquisição.

"Inquisição, bom dia!", *a atendente estava de muito bom humor. Com um pacote de tic-tacs na mão esquerda, enrolava o fio do telefone com o dedo mínimo da mão direita*
"Err, olá...eu tenho um problema aqui..."
"Qual seu nome, senhor?", *pergunta a atendente, pondo um tic-tac na boca*.
"Meu nome? Meu nome é...bem, José Augusto De Silveira."
*A atendente percebe que o homem demorou para responder a sua pergunta. Abre um catálogo e observa algumas considerações sobre pessoas exitantes. Ela diz*, "Senhor, poderia primeiro me dar o número de sua conta bancária?"
"Número de conta bancária?"
"Sim. Apenas para reconhecimento pessoal."
*O homem dá o número, e um banco qualquer fornece, rapidamente, informações sigilosas da conta para a Inquisição. Por que os banqueiros tem dinheiro, mas quem escolhe o preço do aluguel são os inquisitores.*
"E então?", *pergunta o homem*
"Tudo bem. Qual é o problema?"
"Bem...há uma...anh...família aqui do lado...ela causa, bem, problemas."
*A atendente examina o tom de voz do homem. Imagina algum vizinho que deve ter cortejado a mulher alheia, ou uma briga dos filhos, namoro indevido. Pensou em usar os mandamentos, mas o homem era um exitante. Responda por ele, e ele balança a cabeça.*
"Há uma bruxa entre eles, certo?", *disse ela*
"Sim!", *o homem pareceu saltar do outro lado*
"Se quiser projetos de longo prazo, pode estimular a comemoração de dias como Natal, Dia das Mães, Dia dos Pais; as pessoas sao amáveis neles e podem se odiar nos outros trezentos e sessenta e quatro dias. Acaba com qualquer família."
"Não há nada mais rápido?"
"Podemos mandar alguns especialistas. Mas tente alguma festinha toda quarta-feira. Futebol no domingo com os outros esforços enfrquecem qualquer um."
"Eu ligo novamente."
"Esse ligação foi devidamente cobrada, aguardamos próximo contato. A Inquisição agradece.", *desliga*.
# Postado por: b.m.
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Segunda-feira, Maio 03, 2004
Visitando a cela 2

*O Sumosacerdote, vestido do mesmo jeito que abaixo, entra no calabouço novamente*
- Providêncie luz aqui - disse ao carcereiro - vou interrogar o outro patife, e quem sabe temos churrasco hoje mesmo? - e dá uma risada rouca e pigarreia em seguida.
- Você que manda chefe. Quer que eu acenda o esquenta-pé também?
- Sim, sim, ande logo com isso - E o sumosacerdote tira o manto de cima, e começa a alongar - aahhhh - sua costela estala - eu devia fazer isso mais vezes, estou ficando enferrujado.
- Desculpe a intromição, mas você poderia fazer isso se não estivessémos tão escassos de prisioneiros, vocês deveriam contratar mais buscadores (eles chamavam os policias de buscadores).
- Cale-se seu maldito - alonga do outro lado - não se aproveite de meu bom humor, e traga o prisioneiro de uma vez.
*O carcereiro rapidamente foi até a cela e trouxe o hippie barbudo e sujo na presença do sumo*
- Aqui está o maldito - e jogou o sujeito no chão.
*O sumosacerdote pegou um dos vários chicotes que estavam sobre uma mesa e virou já dando uma chicotada no dorço do hippie, e começou a rir*
- Qual é seu nome seu maldito? - amaciando o chicote enquanto rondava o sujeito.
*o sujeito se vira e olha para o rosto do sacerdote começando uma ironica gargalhada*
- Hehaeuhauehauehauheuaheuhauehuaeuaheuaheu.
*o sacerdote se assusta, é a primeira vez que alguém ria apanhando, ficou um tempo sem saber o que fazer, até que levantou o chicote e deu mais uma chicotada, agora na boca do sujeito, que começava a sangrar*
- Seu idiota. Diga logo seu nome.
*Ele cuspiu um punhado de sangue de lado juntamente com seu nome*
- Tyler Durden. Agora, deixe me ir.
- Mwauhauhauhauhauhuahuhauahua - gargalha o sacerdote - quer ir embora? E vai fazer o que lá fora? Pedir um pouco de comida? Estuprar donzelas à noite? Deturpar a mente em versos idiotas? Hauahuhahauahuahua, você não vai sair daqui vivo seu idiota.
- Por que?
*Mais uma vez o sumo se desconcertou, a boca do prisioneiro sangrava, e mesmo assim o maldito questiona, ao invés de suplicar por misericórdia*
- Por que eu disse que sim, e cale-se - e deu mais uma chicotada no barbudo.
- Heaaheaaheaaheaaheaa - Tyler começa a rir novamente, enquanto cospia mais sangue - Não tire isso de mim Lou, eu preciso de minha vida muito mais do que você - haehaheahehaehaheh.
*O sacerdote deu mais uma chicotada em Tyler, mas ele não parava mais de rir, virou então as costas, jogou o chicote para o lado, dando ordem para o carcereiro dar fim no sujeito. Nesse meio tempo, Tyler se levantou impetuosamente e saltou por sobre o sacerdote, que caiu de barriga para cima enquanto Tyler tirava as algemas e subia pelo corpo do Sumo sujando-o de seu sangue grosso e Gritanto*
- Não Lou. Você não pode tirar isso da gente Lou - e babujava sangue na cara do sacerdote, que, a muito, já estava cagando de medo, e tendo náuseas pelo cheiro forte do sangue - não pode Lou, não pode nós tirar isso, é tudo que temos Lou.
*E o carcereiro desesperado puxava a perna de Tyler, mas esse não soltava as vestimentas do sumosacerdote enquanto cospia sangue falando que ele não pode tirar isso de nós*
*O carcereiro finalmente usou a cabeça, e pegou o chicote, batendo no braço de Tyler, no exato momento que o sacerdote balbuciava algo:*
- Saaaiaa daaaquiii, seu filho do dêmonio!
*E Tyler caia do lado contrário, segurando o braço ferido e gargalhando*
- Heaheaheaaah Lou, obrigado Lou - e se levantou correndo para fora da sede da inquisição, tropeçando em tudo, e continuando a rir - não pode Lou, não pode tirar isso de nós.
# Postado por: Rafael Henrique
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Sábado, Maio 01, 2004
O Sumosacerdote da Inquisição.

*o Sumosacerdote, vestido de roupas azuis e brancas, um singelo símbolo de fogueira sobre o manto, com um celular na mão. O Sumo sacerdote fitava as construções, fazia "tsc, tsc" ou "hum, hum", e de vez em quando parava para uma ou duas partidas de Snake 2*, "Tsc, tsc", *fez ele, e olhou para o Carcereiro*.
*o carcereiro retornou o olhar, sem pestanejar, e riu da rima*.
"Ninguém vem trabalhar por aqui não?"
"A Chefia não tem vindo não. Mas eles aparecem. Só esperar."
"Isso aqui deveria funcionar como um relógio! Essas celas deveriam estar lotadas! Deveria haver um fogueira naquele pátio lá em cima, ardendo dia e noite!"
"Mas a gente tá no Rio, chefe. Se a gente trabalha hoje os traficantes enchem a Inquisição de bala.", *o carcereiro coçou o joelho, riu da rima e continuou*, "E deve ser por isso que os chefes não vieram. Devem ter ido pro Espírito Santo. Nada acontece no Espírito Santo."
*o Sumosacerdote lembrou-se vagamente do tempo que podia distorcer uma frase como essa e levar alguém à fogueira. Ele suspirou. Olhou para a celas, notou a falta de ratos, o piso limpo, indefectível*, "Há algum prisioneiro aqui?"
*o carcereiro respondeu, direto ao ponto, certeiro e reto, e regorgizou-se pela habilidade de poeta*, "Tinha um, agora tem dois. Um cabeludo hippie que tem um boca não sei onde e um novo aí. Assassino bravo."
*o Sumosacerdote fez "hum, hum" e caminhou até a cela do assassino. Abriu a porta, olhou-lhe nos olhos. Disse, com o tom dos velhos tempos*, "Arrependa-te! Ore, irmão, arrependa-te, ore!"
*o homem, um loiro de camisa vermelha, respondeu*, "Minha mãe orou a vida inteira, e o filho dela está numa cela. Qual é a graça?"
"Sua mãe, obviamente, não orou o bastante. E você está pagando por seus pecados."
*e o homem, como se ignorasse*, "E ela me disse, para que aprendesse, de que eu tinha que conseguir dinheiro, e comprar minha absolvição."
"Sábia mulher. Pouco crente, mas sábia."
"Eu tenho dinheiro, seu inquisitor. Me tira daqui, me arruma um carro, eu pago o quanto o senhor quiser."
*o Inquisitor fez "tsc, tsc"*, "Se eu quisesse diálogos, tratados, arrumações, combinados, eu nunca teria feito um império como fiz. Pode me dar o seu dinheiro, mas eu quero o seu medo.", *o Inquisitor segurou-o pela nuca, jogou sua cabeça contra a parede, ele desmaiou*.
*Ao sair do Cárcere, ele disse que o prisioneiro de vermelho deveria receber mais tortura. E avisou que viria, mais tarde, conhecer o outro prisioneiro*.
# Postado por: b.m.
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Terça-feira, Abril 13, 2004
Cárcere da Inquisição.

*o carcereiro coçou o joelho. Ele notou a rima e a repetiu alta para si, regorgizando-se. Sentiu-se esperto. Olhou para a única cela preenchida. Um rapaz de cabelos longos. O carcereiro se aproximou.*
"Aê. Quer água?"
"Não, obrigado."
"Eu posso te dar água. Estamos próximos da Páscoa, eles dão água para os presos na Páscoa."
"Deram-me vinagre.", *o cabeludo respondeu*
"É? Por que você tem essas vantagens? É traficante?", *o carcereiro meio que sorriu. Mesmo sendo a Inquisição, estavam no Brasil, e, no Brasil, traficante é autoridade. Ele tentou ser simpático.*, "Quer um celular? Tomar um ar?", *ele riu da rima*.
"Eu...quero conversar contigo."
"É? Por que?"
"Creio que tenho o que dizer e tu tens o que ouvir."
"Fala complicado pra um traficante. Deve ser patrão ou coisa maior. Tua boca é onde?"
*Josué, até aquele momento, pensava já ter ouvido todas as perguntas passíveis de serem feitas. Ele fitou o carcereiro, e por um momento esperou. Saberia o que dizer?*
"Não entendo bem desses negócios. Como não entendo de Internet. Email. Site. Sei lá que são."
*Josué tentou um golpe no escuro*, "Conhece as pessoas? Conhece-te?"
"Conheço um monte de pessoas. Quer saber quem está interessado no seu produto?"
*A resposta poderia ser 'sim'. Mas Josué manteve-se calado.*
"Bem, alguns até que compram o seu produto. Mas nem que gostam mesmo. Compram por comprar. Por não ter o que fazer. Pra curar alguns males da vida. É coisa de cabeça."
*Josué o fitou, ele continuou:* "E é o tipo de coisa que deixa as pessoas juntas. No mesmo estado, mesmo que um estado nojento.", *Josué olhou para o homem. Pediu a água oferecida, sentou-se em um canto. Os Messias de hoje eram bem mais práticos, ele pensou, mas esqueceu o pensado, não era importante.*
# Postado por: b.m.
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